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Casos Clínicos

Caso 4
Dr. Paulo Hoffmann (Pancreatite - Hyosciamus niger)

Paciente, sexo feminino, J.G.M, nascida em 30/10/86, procurou o tratamento homeopático para Asma Brônquica em 1990. Tinha na sua H.P.P.: Exantema súbito, asma brônquica e eczema atópico.

Era meiga, muito afetiva, carinhosa, mas manifestava um ciúme muito marcante. Era muito desconfiada em relação ao que era oferecido a ela para comer. Se tinha que provar algum alimento, perguntava pra mãe se podia; recusava-se a provar alimentos novos. Chegava no consultório sempre sorrindo pra mim, me seduzindo, muito sedutora. Se brigasse com alguém, depois vinha agradar a pessoa. Lutava muito contra o sono, acordava várias vezes durante o sono. Era carinhosa demais, até que se invocava e aí brigava mesmo. Tinha muito pouca sede. Se ela tivesse um brinquedo e uma criança estivesse chorando, ela o dava para a criança parar de chorar, mesmo que fosse seu brinquedo preferido. Muita dificuldade com separação, principalmente separar-se da mãe. Seu ciúme era tão forte que chegou a acabar com o segundo casamento da mãe, de tanto que maltratava a filha do marido. Tornou a relação da mãe com o segundo marido impossível. Com essa história, fez uso de Pulsatilla nigricans durante algum tempo e depois Lachesis muta, medicamento com o qual sua asma desapareceu.

Em 1994, apresentou um quadro de parotidite epidêmica, que cursou com febre de 39°C. Evoluiu após uma semana com vômitos, dor abdominal em barra, queda do estado geral. Ao exame físico destacavam-se as mucosas normocoradas, hipohidratadas, nuca livre, ausculta pulmonar e cardíaca sem alteração. Abdome doloroso, exame prejudicado pela falta de cooperação da criança.
Temperatura axilar 39,5°C.
Amilase: 236.
Lipase: 2390.
Leucograma: 5000-0-1-0-0-3-34-58-4; sendo assim, foi diagnosticada Pancreatite Aguda.

Foi medicada com Lachesis muta 1 M / FC (remédio do qual fazia uso há 4 anos), sem resposta. Seguiram-se doses de 10 M / FC e 50 M / FC do mesmo remédio com intervalos de quatro horas entre elas, igualmente sem resposta.

Eis que então a mãe relata um delírio febril da paciente, muito significativo: "Mãe, tudo está pequeno!"

Até então, estava tomando, como sintomas homeopáticos, o ciúme, a ilusão de ser envenenada, amorosa, pouca sede e o sono. Neste momento, com o surgimento durante um quadro agudo de um sintoma novo, agreguei este sintoma à repertorização e pude fazer o diagnóstico diferencial entre os remédios da rubrica correspondente, a saber : Mind: Delusion - Small, things appear: aur, hyos, nat-c, plat., puls, staph., stram, thuj. Tratava-se de um sintoma raro, estranho e peculiar, muito característico e, desta forma, escolhi o medicamento que melhor cobria a totalidade dos sintomas da paciente: Hyosciamus niger. Prescrevi um papel de 1 M / FC.

Três horas após a dose houve queda da temperatura axilar, remissão dos vômitos, diminuição da dor abdominal, que desapareceu após a dose de Hyosciamus niger 10 M / FC.

A paciente faz uso de Hyosciamus niger até hoje. O acompanhamento posterior feito com o gastroenterologista mostrou que não houve seqüelas no pâncreas, através de ultra-sonografias e exames laboratoriais, por um período de um ano.

Dr. Paulo Hoffmann

 

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