Caso
2
Dra. Lilia de A. L. Ramos (Apendicite aguda - Conium maculatum)
Este
caso é sobre uma paciente que tomou Sepia de 86/98, sendo
que ficou afastada das consultas por um período de 5 anos.
Nos falamos algumas vezes por telefone, porque "adoecia"
muito pouco e saía de tudo com uma dose de Sepia. Em 10/98
voltou a consulta relatando nódulo cístico no seio,
mioma uterino e cisto no ovário.
Ao
final do relato me chamou a atenção a temática
da relação familiar manifestada pela paciente: da
insatisfação com o casamento, da necessidade de ser
independente das pessoas às quais estava ligada afetivamente
(marido, namorados), de não gostar que ficassem dirigindo
sua vida, de se sentir invadida por estas pessoas. O fato de nunca
ter pensado em engravidar e ao mesmo tempo da sensação
de se sentir "absoluta" com o nascimento da filha, sempre
cuidando dela como pai e mãe. Apresentando também
tumorações tanto no seio quanto útero, cisto
de ovário e também uma intolerância a bebidas
alcoólicas. Associei tudo isto ao entendimento de Conium,
de querer criar independentemente, sem parceria, de recusar a colaboração
para gerar e do seu organotropismo, por órgãos ligados
a gerativa, útero, ovário, mama. Com esta sintomatologia,
lhe dei uma dose de Conium 1MFC.
Dois
meses após esta prescrição a paciente me liga
de fora do Rio com violenta dor na articulação do
ombro direito que impossibilitava os movimentos do braço.
Como não tinha nenhuma dose de Conium para lhe ministrar,
fiz uso de Rhus t.30CH, para alívio da dor intensa. A melhora
foi em questão de horas, o que maravilhou a paciente.
Em
14/4/99, duas semanas após, esta paciente me liga às
6h da manhã, relatando náuseas seguidas de vômito,
febre de 37.5, intensa dor abdominal que a impedia de se locomover
e a mantinha dobrada sobre o abdome. Solicitei que fosse ao consultório
para exame e confirmei a minha suspeita de apendicite aguda. Já
no consultório lhe dei uma dose de Conium 10MFC, (feito às
9h:30), solicitei exames de rotina para abdome agudo (raio x de
abdome, hemograma completo, ultra sonografia abdominal). Junto a
isto solicitei o parecer de um colega cirurgião (Dr. Samuel
Giovanini), que confirmou o diagnóstico, solicitando internação
para exames.
18h.
Rotina de abdome agudo: sinais de distensão do intestino
delgado com níveis hidroaéreos e desvio das alças
do intestino delgado para o flanco e a fossa ilíaca direita.
20h. US abdominal e pélvico: líquido livre FID, observando-se
formação tubular em fundo de saco cego, aperistáltica,
com 11mm de diâmetro, originando-se da base do ceco ( Apendice
).
Em
15/4/99, às 2h, a paciente refere estar sem dor espontânea.
Não apresenta posição antálgica. Apetite
presente. Ao exame: abdome flácido, indolor à palpação,
referindo apenas um leve incômodo à palpação
profunda. Ausência de sinais de irritação peritonial.
Peristalse presente. Conduta: observação.
09h:30
- Paciente assintomática, apetite presente. Ao exame; abdome
flácido, indolor à palpação, sem qualquer
incômodo à palpação profunda. Peristalse
presente.
Rotina
de abdome agudo - presença de fezes no cólon direito.
Ausência de sinais de distensão do intestino delgado,
distribuição homogênea das alças intestinais.
Conduta: alta hospitalar.
Este
caso demonstra que a prescrição pela dinâmica
miasmática que deve englobar sintomas homeopáticos
da totalidade do indivíduo é perfeitamente cabível
num caso agudo.