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Casos Clínicos

CASO 1
Dra. Elizabeth Pinto Valente de Souza (Amigdalite 1 - Arnica montana)

"Certo dia, ligou-me a mãe de uma paciente, Mariana, que trato desde 1 ano e 4 meses de idade. Hoje, ela tem 15 anos e este fato aconteceu há seis meses atrás. Ela, desesperada, dizia que há 24 horas a filha estava com 40°C de temperatura, muito prostrada, com muita dor no corpo e com dor de garganta. Pedi que viesse à minha casa.

É bom informar que esta menina sempre teve tendência a amigdalite, ora de origem viral, de caráter apenas inflamatório, ora de origem bacteriana, com exsudato purulento. Além disso tinha em sua HPP: eczema alérgico em face e tórax, sarna quando bebê, molusco contagioso, tendência a aftas e quadros catarrais com tosse e febre, mas sem nenhuma complicação. De seus sintomas homeopáticos, ficava claro seu caráter bravo e irritado, sua atitude crítica e perfeccionista, com um medo de errar muito característico pois era sempre presente desde 2 anos de meio de idade; alguns medos como: de trovão, raios, escuro. Durante uma determinada época, teve pesadelos com aranhas e um constante desejo de colocar sal em tudo.

Quando chegou em minha casa disse: estou enjoada, tonta, quando levanto parece que estou sonhando, que estou meio zen, que estou meio tonta, (zen = meio fora do mundo, meio estranho). Parece que sou muito mais frágil do que sou, tudo dói muito, qualquer coisinha machuca, qualquer coisa parece que vai machucar muito; se a minha mãe pega no meu dedo, parece que vai quebrar, a dor que eu sinto é muito mais do que é para sentir... Não como nada e quando como é pouquinho, fico logo enjoada; sinto muito frio, fico coberta o tempo todo, não consigo falar muito porque dói, parece que está arranhando; pouca sede, bebe somente se lhe oferecer e pouco. Ao exame clínico a paciente estava encolhida, enrolada em cobertas, prostrada, muito quente em todo o corpo e apresentando a orofaringe bastante hiperemiada, com as amígdalas aumentadas de tamanho e com uma placa de cor branca acinzentada aderente recobrindo cada amígdala como se fosse um cobertor enorme.

As hipóteses diagnósticas mais prováveis eram Angina de Vincent ou uma Infecção Estreptocócica. Foi pedido um swab de orofaringe e o resultado foi Streptococcus pyogenes grupo A, confirmando o diagnóstico de Infecção Estreptocócica.

Aí começam o dilema e o desafio do homeopata: o que fazer?

Seu quadro era grave e preocupante, a pressão da família grande, pois já era o segundo dia de doença e o estado geral da paciente era péssimo. O tempo rodava contra mim. Analisei o caso e vi as possibilidades:

1. Repertorizando os sintomas do quadro atual e suas modalidades defini como boas opções Lac caninum e Phytolacca - dar um ou outro, dar os dois alternadamente?

2. Surpreendente para mim, quando no quadro agudo ela me fala de sensações psóricas tão claras e objetivas que nunca tinham se manifestado antes claramente, senti-me frente a um experimentador e a luz se fez! Esta sensibilidade à dor, a fragilidade, mais o medo de falhar, sua exigência consigo mesma e com os outros... Uau! Arnica montana! Era isto e eu nunca via! Mas, e os pesadelos com aranhas e desejo de sal?

3. Dar um antibiótico ou associar com a medicação homeopática?

Pensei por segundos que valeram como os 26 anos que me dedico a esta magnífica ciência. Decidi provavelmente pelo que é mais forte em mim. Prescrição: Arnica montana 1M.

Eram 18:00 horas, ela saiu dali direto para a farmácia homeopática, e depois direto para o laboratório.

Evolução: às 00:30 h, pelo telefone, a mãe me disse que estava com 37,7°C, tinha se alimentado e não havia tomado antitérmico. No dia seguinte, ao meio-dia: sem febre, se alimentando, mais disposta. Trinta e seis horas após a tomada do medicamento vi a paciente em minha casa, bem disposta; ao exame da orofaringe não havia mais nenhum resquício de placa.

O exame ficou pronto 5 dias depois e o diagnóstico foi selado, mas Mariana já estava boa...

Essa Homeopatia tem cada coisa que nos faz pensar..."

Dra. Elizabeth Pinto Valente de Souza

 

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