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Os caminhos da prescrição para o sucesso terapêutico
Dra.
Elizabeth Pinto Valente de Souza
Como elementos essenciais para o sucesso de uma prescrição
podemos definir:
1.Tomada da história - anamnese - e registro.
2.Entendimento do caso
3.Estratégia da prescrição
a.Definir nível de prescrição possível
no caso
b.Definição de escala, número de doses, e potência.
4.Definição dos obstáculos e limites do caso
e como atuar em relação a eles.
1-Tomada
da história - anamnese - e registro.
Na anamnese devemos obter o maior número possível
de informações que irão constituir a totalidade
individualizante do paciente.
Toda a sintomatologia do quadro atual deve estar bem definida, como
também toda historia patológica pregressa.
O objetivo é conhecer como foi o processo de adoecimento
do indivíduo, qualificar e quantificar este processo. Compreender
a forma que ele adoeceu - a que foi suscetível - e o quanto
adoeceu, isto é, a que nível de desestruturação
ou não chegou aquele organismo.
O aspecto clínico - objetivo e o subjetivo - sintoma gerais
e mentais devem ser observados dentro de um único contexto,
como uma única história que acomete o indivíduo
concomitantemente.
Todas essas informações devem ser recolhidas e registradas.
A não investigação e observação
de algum dos itens semiológicos que constituem o padrão
homeopático de totalidade pode levar a uma anamnese ou registro
incompleto, possibilitando assim o insucesso terapêutico.
2-
Entendimento do caso
O conjunto semiológico recolhido deve tomar vida dentro do
conceito de individualidade e unidade, isto é, devemos fazer
uma leitura única daquele conjunto, transformá- lo
naquilo que realmente ele é, não vários sintomas
ou varias doenças, mas sim uma coisa única, um único
ser, um único doente.
Nessa totalidade buscamos seu sofrimento imaginário individualizado
dentro dos temas principais que ele nos manifeste. A partir do sofrimento
primário, Psora primária, todos os seus sintomas mentais
e gerais bem como particulares inclusive suas entidades clinicas
atuais e passadas se enovelam, formando como que um intrincado novelo
de lã.
Buscaremos essa correspondência dentro de todos os níveis
de sintomatologia presentes no caso, buscando a forma particular
de reação física, sensorial e mental que está
acometida. Compreenderemos então como nosso doente reage
àquele sofrimento imaginário básico, suas reações
egotróficas - de negação ou superposição
-, ou ego e alterlíticas - de destruição de
tudo que lhe lembre àquele tema central ou aniquilamento
de si mesmo por não suportar a sensação de
falta deste bem tão necessário e que pensa estar irremediavelmente
perdido. Denominamos este movimento de Psora terciária. A
partir daí, a leitura de seus acometimentos gerais e orgânicos
se unem pela analogia de seus significados e a finalidade das funções
acometidas nos órgãos ou sistemas alterados e/ou lesados.
Este tipo de prescrição, denomina-se Prescrição
Miasmática, onde procuramos identificar a Dinâmica
Miasmática, segundo o conceito proposto por Masi Elizalde
para a compreensão do significado da doença crônica
Miasmática chamada Psora segundo Hahnemann.
3-
Estratégia da prescrição
a.Definir nível de prescrição possível
no caso
Um novo paciente, é uma caixinha de surpresas, não
sabemos o que vem, a cada momento algo novo aparece e aos poucos
forma se um quadro.
Este quadro nem sempre se defini claramente da primeira vez, e,
às vezes, nem nas subsequentes, e muitas vezes, temos lacunas
que nos dificultam ter uma visão do quadro por inteiro. É
como se nesse caso tivéssemos que supor o que pode estar
contido naquelas lacunas. Muitas vezes isso constitui o trabalho
de estabelecer as hipóteses diagnósticos medicamentosas
possíveis e a partir daí traçar um linha de
ação para a abordagem do nosso paciente.
Mas para alcançarmos o sucesso terapêutico devemos
tornar objetiva nossa abordagem, isto é, após as etapas
acima, avaliarmos qual quadro temos, ou melhor, que partes temos
do quadro. Isso nos ajudará a definir qual estratégia
de prescrição está mais indicada em um determinado
caso.
Não devemos ter a priori, uma metodologia de prescrição
para todos os casos pois isso pode nos levar ao insucesso terapêutico.
É indispensável definir qual das opções
temos pela frente:
-O quadro que nos possibilite o entendimento Miasmática do
caso como já foi dito acima.
-Um quadro parcial que nos mostre sintomas de alto valor homeopático
mas que não nos permita estabelecer uma relação
entre eles.
-Um quadro com sintomas particulares modalizados
Para
cada uma dessas possibilidades faremos um determinado tipo de prescrição.
Prescrição Miasmática onde a totalidade está
considerada com o entendimento do caso. Prescrição
parcial, levando em consideração uma parte do quadro
sem o entendimento miasmático desta totalidade sintomática.
Prescrição tomando em consideração uma
parte, isto é um órgão, ou sistema acometido,
com alterações de sensação, função
ou mesmo de estrutura com lesões já definidas, porém
com modalidades individualizantes.
Muito importante lembrar que tipo de prescrição
não significa tipo de ação, isto é,
poderemos alcançar uma ação Miasmática
global com uma prescrição parcial ou mesmo local,
ou o contrário também pode ser verdadeiro podemos
com uma prescrição Miasmática alcançar
apenas uma ação local ou parcial.
O que difere é que ao evoluirmos nossos paciente, ao não
termos o quadro total Miasmática mais difícil se torna
identificar o alcance da prescrição, pois estaremos
lidando com sinais que desconhecemos e isto poderá levar
a sérios equívocos, que terão como conseqüência
a mudança errônea de medicamento ou ao contrário,
mantermos a prescrição com medicamentos parciais.
b.
Definição de escala, número de doses, e potência.
Como no item acima, ao considerarmos o paciente devemos pensar também
em individualidade quanto à suscetibilidade ao modo de preparação
do medicamento, à potência, e ao número de doses.
Dependendo desta suscetibilidade, que além de estar relacionada
com fatores que ainda desconhecemos na homeopatia, está com
certeza relacionada com o grau de comprometimento, a cronicidade
ou agudeza de suas manifestações atuais.
Algumas regras devem ser mantidas quanto a escolha ou prosseguimento
da administração do medicamento, mas as mudanças
de escala, a escolha da potência e suas variações
bem como o número de doses, isto é dose única
ou repetição e como fazê-la, devem ser avaliadas
individualmente levando em consideração os fatores
já citados acima.
4.Definição
dos obstáculos e limites do caso e como atuar em relação
à eles.
Hoje nos deparamos com uma realidade sócio cultural que nos
traz matizes distintos de 25, 15 anos até mesmo 10 anos atrás,
no campo da medicina e consequentemente no campo da homeopatia.
Hoje freqüentemente nos deparamos em situações
em que a homeopatia é um agente que "atua com"
e não com exclusividade no paciente seja por necessidade
ou por confusão.
Ao recebermos um paciente devemos avaliar a medicação
da medicina tradicional que faz uso rotineiramente, se é
possível mantê-la sem que isso prejudique nossa prescrição
ou ao contrário se é indispensável que ela
seja retirada.
Isto vale também no que se refere a outras formas de tratamento
ditas alternativas como florais, medicina ortomolecular, nósodios,
fitoterápicos, ou mesmo a homeopatia dentro de um critério
organicista com o uso de várias substancias concomitantemente.
Nesta discussão penso que a possibilidade de risco da
vida do paciente e a dificuldade de avaliação do movimento
dos sintomas no caso são fatores absolutos a serem considerados.
Devemos indagar o que é possível quanto ao que pode
ser mantido, o que deve ser alterado e como devemos fazê-lo.
Acho que isso é importante não só para que
a prescrição possa ser bem sucedida como também
viável.
Dra.
Elizabeth Pinto Valente de Souza
Coordenadora da Escola Kentiana do Rio de Janeiro
Fundadora do Instituto de Homeopatia James Tyler Kent
Trabalho apresentado no III Encontro Sudeste de Homeopatia - 2001